Entenda quais são os efeitos que o calor excessivo produz em seu corpo.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio superou os 40 graus até o dia 23 deste mês



Publicado em 27/01/2019 - 12:52
Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro
O diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), 
Claudio Tinoco, fez um alerta sobre os cuidados com calor excessivo. 
“Quando aumenta muito a temperatura, existe um risco de a gente entrar em um 
estado de desidratação, onde o corpo perde uma quantidade significativa de líquido.
 Isso faz com que o coração tenha que trabalhar mais, a pressão arterial pode cair, aumenta 
o risco de a pessoa ter um desmaio, que é a perda da consciência, e pessoas que têm
 problemas cardíacos podem ter até complicações sérias, como o acidente vascular cerebral
 (AVC) e até o infarto do miocárdio”.
O alerta feito serve como ponto de atenção num dos verões mais rígidos dos últimos anos, principalmente no sudeste do país. No Rio de Janeiro, até o dia 23 deste mês a temperatura
 em quatro dias superou os 40 graus.
Para conviver com esta rotina, é preciso tomar certos cuidados. Evitar exercícios físicos nos
 horários de pico do calor pois, segundo o especialista pode ter efeitos “devastadores” sobre 
o corpo, cérebro, os rins, o coração. É o chamado estresse térmico, em que a desidratação compromete inclusive a capacidade de a pessoa regular a temperatura do corpo.
“Ela perde muito líquido e não consegue fazer com que a temperatura interna do corpo seja 
rebaixada e isso vai acarretando danos ao organismo e pode até contribuir para a morte”.
Claudio Tinoco recomenda que as pessoas usem roupas claras e leves; bebam bastante 
água; prestem atenção aos sinais do organismo. “Se estiver com a cor amarronzada, mais 
escura, significa que a urina está muita concentrada e a pessoa está bastante desidratada,
 explica.
Para as pessoas que trabalham nas ruas, como ambulantes e guardas, por exemplo, a
 recomendação é beber pelo menos dois litros de água por dia.
Tinoco admite que o guarda-chuva ajuda a diminuir a incidência de raios solares diretos, 
mas lembra a importância, nessa época do ano, do uso do filtro solar.

Crianças e idosos são grupo de risco

O diretor de Publicações da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular
 (SBACV), Julio Peclat, observa que dois grupos são mais suscetíveis a problemas nessa
 época do ano: as crianças e os idosos, devido à perda de líquido corporal que pode 
representar um volume muitas vezes significativo na volemia, isto é, na quantidade total de
 sangue no corpo tanto de crianças como de idosos.
Peclat salienta que acontece também um aumento da incidência de inchaços nas pernas.
 “A questão da vasodilatação causada por esse calor leva os pacientes, sobretudo aqueles
 que têm varizes mais calibrosas, ao rompimento dessas varizes. Esse sangramento é muito
 comum nessa época do ano”.
Julio Peclat chamou a atenção para outro efeito ligado ao calor intenso, que é a erisipela.
 “Esses inchaços são causados por um retardo na absorção de líquidos nos membros
 inferiores e isso pode gerar uma infecção oportunista, muitas vezes uma micose entre os
 dedos ou uma fissura em uma pele desidratada, e uma bactéria pode entrar por aí e
 ocasionar o que é chamado erisipela e deve ser tratada imediatamente para não complicar”.
Outra orientação, mesmo para as pessoas que trabalham fora, é que a cada duas horas 
procurem levantar um pouco as pernas. “Colocar os membros inferiores para cima ajuda a 
drenagem postural dos membros, evitando também possíveis complicações”.
E hidratar a pele e fazer massagens antes de dormir amenizam. “Essa massagem, nesse
 movimento seguidamente, ajuda na drenagem das veias e dos vasos linfáticos, aliviando
 as possíveis complicações do calor”.
Para homens que usam terno e gravata, e também para as mulheres, a orientação do diretor
 da SBACV são as meias elásticas. O médico alerta, porém, que essas meias devem ser 
prescritas por um angiologista na compressão adequada ao paciente e adquiridas em lojas 
de material hospitalar.
A gastroenterologista Tábata Antoniaci lembra que é sempre bom consumir alimentos que 
possuem maior concentração de água. Entre eles, alface, beterraba, couve, tomate, aipo, 
rabanete, carambola, pepino, morango, melancia e melão.
Edição: Valéria Aguiar


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